segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Nemátodo da Madeira de Pinheiro - 2

Ora, como se dizia no último texto a única forma conhecida de controlar a doença do nemátodo será através do controlo do insecto que o auxilia.
A janela de possibilidade de impedir a referida doença de alastrar foi há muito fechada.
Seja porque já não é mais possível reagir contra o Nemátodo. Seja porque não mais é possível proceder, licitamente, á execução de trabalhos de silvicultura, na floresta nacional, por estarmos hoje em período crítico em que o risco de incêndios é maior.
Em Castro Daire, sem se saber muito bem como, surgiu um foco de infecção pelo Nemátodo, localizado na povoação de Sobradinho, freguesia da Ermida.
O Estado, em Dezembro de 2008, iniciou, tardiamente, um plano de contenção daquela doença. Tardiamente, porque só em Dezembro, contactou as equipas de sapadores florestais do concelho, para lhes pedir a sua colaboração. Tardiamente, porque atrasos na regulamentação de tal plano, ditaram que a sua execução só se iniciasse em finais de Fevereiro, inícios de Março de 2009, com um prazo de conclusão, para 30 de Março desse mesmo ano.
Ora, o plano consistia em duas grandes linhas de orientação:
1º - No referido ponto onde se havia descoberto a doença, deveria ser removido / destruído todo o material lenhoso, num raio de 50 metros em redor das árvores que se sabiam infectadas, criando-se assim uma faixa de contenção impeditiva de novos focos de doença.
2º - Nas freguesias que ficassem localizadas, num raio de 3 km em redor das arvores infectadas, as equipas de sapadores marcariam arvores com sinais de infecção, ou propicias á postura dos ovos pelo insecto que transporta o Nemátodo, para que fossem removidas pelos seus proprietários.
O referido plano teria uma característica interessante, os locais a controlar pelos sapadores foram, previamente escolhidos, por técnicos do Estado, bem instalados nos seus gabinetes e aparentemente sem qualquer conhecimento do terreno.
Afinal só neste concelho de Castro Daire, foram percorridos, qualquer coisa como 200 km2 pelas equipas de sapadores.
Não havia por isso tempo para implementar o plano em si (marcação das arvores, contacto com proprietários e controlo / execução da remoção das arvores).
Pelo menos não com o salutar e democrático processo de prévio contacto e esclarecimento das populações. (continua)

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